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O divã em Minas

Quando recebi o convite para escrever sobre psicanálise no BHdicas, confesso que senti um frio na barriga. Mesmo tendo relação com a escrita há algum tempo, nunca havia tido a chance de me comunicar para um número tão grande de pessoas. Mas devo admitir que, passado o susto, fiquei bastante animado com o desafio. Sei, contudo, que a responsabilidade não é pouca.

A gente sabe que um tratamento como esse, que envolve aspectos da vida pessoal e, sobretudo, as coisas que passam pela nossa cabeça, ainda é malvisto pelo senso comum. É tido como coisa de “gente doida”, e por aí vai. Naturalmente, sou de opinião contrária, e a experiência daqueles que decidem confiar sua vida à escuta de um analista é mais do que prova disso. Por esse e outros motivos, penso que, se um tratamento como esse é reprovado por alguns, uma possível explicação seria o problema da intimidade. A um psicanalista são compartilhadas justamente nossas intimidades. Sendo assim, se há alguma resistência talvez seja porque nem todo mundo está disposto a ser íntimo… de si. Num certo sentido, isso é até compreensível, visto que ser íntimo de si implica ficar de frente, principalmente, dos nossos pontos fracos. E ninguém quer saber dos pontos fracos. No entanto, desafio encontrar alguém que alcançou o sucesso sem ter assumido, primeiramente, seus erros, seus limites. Conhecer nossas limitações, nossas fraquezas é, a meu ver, o meio mais seguro de se medir a força necessária para se tomar uma decisão. Dito isso, quem sabe não possamos concluir que o senso comum nem sempre tem bom senso.

O cenário da intimidade envolvida num tratamento psicanalítico sugere que, em Minas, esse trabalho teria pouco espaço. Isso porque existe uma noção comum e superficial de que o mineiro é desconfiado. Não compartilho dessa opinião. Até porque prudência não pode ser confundida com desconfiança.

Ao contrário do que sugere o problema da intimidade, a psicanálise faz, sim, muito sucesso em Minas. E digo mais: Minas Gerais é um dos estados com maior participação de psicanalistas em sua interface com a cidade. Os analistas, hoje, estão em todo lugar, não mais restritos aos consultórios. Eles estão nos centros de saúde, nos tribunais, nos hospitais, nas Universidades e escolas. Como pensei alguns dias atrás, é como se os mineiros tivessem descoberto na psicanálise algum tipo de segredo. Inclusive, cogitei que, se a psicanálise tivesse sido inventada por um mineiro, talvez ela não teria ultrapassado os oceanos e se estendido a outros continentes. Seria um segredo só nosso, passado de geração em geração.

Gosto de pensar nessa imagem e penso ser essa uma imagem bem mineira: o cuidado com as coisas que valorizamos. Dos amigos até a receita de bolo da avó ou mesmo aquela frase do pai, gostamos de cuidar das coisas que damos valor. E é como mineiro que pretendo dividir com vocês isso que aprendi a valorizar tanto, essa que foi a invenção de Freud, a psicanálise. Já sei que não vai ser tarefa fácil. A psicanálise não foi feita para ser divulgada, assim, num piscar de olhos, por isso a metáfora do segredo me agradou tanto. Mas aqui não pretendo transmitir essa teoria em sua mais profunda complexidade. Nessa coluna, pensei que talvez fosse possível tratar de certos assuntos a partir do olhar dessa invenção freudiana. Para isso, conto com vocês nesse caminho onde só a intimidade importa.

Um abraço,

Crédito da Foto da capa: Samir Honorato

bhdicas

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